Parto Humanizado

Origem

O parto humanizado surgiu em oposição ao modelo de assistência ao parto do século XX, que era um parto normal protagonizado pelo médico ou uma cesárea eletiva. Diante desse cenário, surgiu a necessidade de uma alternativa de atendimento para as mulheres que não tinham nenhum problema de saúde e foi quando os partos domiciliares planejados começaram a acontecer. Nesse momento, questionou-se se não haveria como fazer algo parecido dentro do hospital, para todas as mulheres que desejassem um parto normal.

A partir daí, foram feitos alguns esforços para que os serviços de saúde se adequassem e começassem a oferecer uma assistência condizente com as recomendações da OMS (Organização Mundial da Saúde) e Ministério da Saúde. Em 2005, por exemplo, foi aprovada a Lei Federal nº 11.108, que estabelece que todas as mulheres têm direito a um acompanhante de sua escolha durante o trabalho de parto, parto e pós-parto, no entanto, ainda hoje, em 2019, muitos hospitais negam esse direito à mulher.

Você sabia que a expressão “parto humanizado” só existe no Brasil? 

Isso ocorre porque nos países desenvolvidos, como Inglaterra, França, Holanda, entre outros, esse já é o modelo vigente. Em muitos países, as gestantes são atendidas por enfermeiras obstetras, que acompanham todo o pré-natal e o parto. Apenas no caso de alguma intervenção ser necessária é que o médico é acionado, e o médico é sempre o plantonista do hospital.

Parto humanizado na prática

O parto humanizado se baseia em três pilares: o protagonismo da mulher, a assistência baseada em evidências científicas e o apoio de equipe transdisciplinar, disponível 24 horas. Se um desses critérios não for atendido, não podemos falar em parto humanizado.

Atendendo a esses três pilares, a equipe que prestará assistência respeita os desejos da mulher, sempre discutindo as implicações de cada escolha. A mulher escolhe o seu acompanhante, o local do parto (hospital, casa de parto ou domicílio), a posição em que quer ter o bebê, é permitido que ela caminhe, se alimente, se hidrate, é encorajada a fazer uso de técnicas não farmacológicas para alívio da dor, mas também pode optar pela analgesia, se estiver em um hospital que ofereça esse serviço. Além disso, a equipe não fará uso de técnicas e intervenções que não tenham respaldo na ciência, como as citadas no post parto normal x parto natural.

Portanto, parto humanizado não é sinônimo de parto na água, nem de parto domiciliar. Essas podem ser escolhas da mulher, mas ela também pode escolher ter um parto humanizado hospitalar.

Se, durante o trabalho de parto, a equipe julgar necessária alguma intervenção para assegurar o bem-estar da mãe e do bebê, essa intervenção será discutida com a mulher ou com o casal e poderá ser realizada sem que o parto deixe de ser humanizado. Assim, o parto pode tomar diferentes rumos e terminar em um parto natural, normal ou cesárea, mas o atendimento sempre será humanizado se contemplar os três pilares: protagonismo da mulher, evidências científicas e equipe transdisciplinar.

Se ainda ficou com alguma dúvida, escreva para nós! Ficaremos felizes em ajudar.

Um abraço,

Tati Pepe, doula da MamaDanu

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